Última Marcha

(Vídeo) Testamos o Bronco Sport na Chapada dos Veadeiros (GO)

Quando eu recebi o Bronco Sport para avaliação, tracei uma meta: testar o carro em um lugar que combinasse com ele. Nem falo sobre beleza porque design é muito pessoal. Apesar de eu achá-lo bem bonito. Como moro em Brasília, o destino veio tão rápido quanto o desempenho do modelo, equipado com motor 2.0 Ecoboost de 240 cavalos e 38 kgfm de torque, a Chapada dos Veadeiros (GO).

Com mais de 300 cachoeiras catalogadas, muita estrada de chão e a apenas 240 quilômetros da capital do país, o “Berço das Água do Brasil” era um ótimo destino para conferir a performance, o conforto e, principalmente, a tração 4×4. Tanque cheio e pé na estrada. Já nos primeiros quilômetros, o motor mostrou fôlego de sobra. As trocas do câmbio automático de 8 velocidades são suaves e bem resolvidas. Assim, alcançamos médias de consumo na casa de 11,5 km/l na estrada e de 8 km/l na cidade. Números interessantes para um veículo com estrutura reforçada e 1.712 quilos.

O baixo nível de ruído interno e a estabilidade também me impressionaram. A tração nas quatro rodas, outro importante atributo do SUV, faz a gente se sentir colado ao chão, independentemente do terreno. Em aceleradas moderadas, o diferencial traseiro desacopla e deixa a força apenas nas rodas dianteiras – estratégia para ajudar na economia de combustível. Pisou forte no acelerador, 70% do torque podem ser direcionados para as rodas traseiras. Por falar nisso, o comportamento muda tanto com o seletor de terreno (G.O.A.T) ativado que a sensação é de você ter vários carros à sua disposição. Mais pra frente, vamos falar, de novo, sobre os sete modos de condução (Eco, Escorregadio, Areia, Lama/Terra, Rocha, Esportivo e Normal).

Segurança é outro ponto alto no novo SUV da Ford. Com nota máxima, conquistada em rígidos testes nos Estados Unidos, ele conta com 9 airbags, alerta de colisão frontal, frenagem autônoma de emergência, alerta de ponto cego e assistente de permanência em faixa com correção do volante. Tudo isso de série.

Interior do Bronco Sport (Ford/Divulgação)

A chegada a Alto Paraíso (GO) foi animada pelo bom e velho Rock’n Roll na central multimídia Sync 3, equipada com sistema de som premium Bang & Olufsen (com 1.000 W, dez alto-falantes e um subwoofer). Pelo Apple Car Play ou Android Auto, dá pra espelhar mais do que música na tela de 8 polegadas. Todo o trajeto foi feito com as coordenadas do Waze. Aproveitamos para deixar outro smartphone no carregador wireless. Afinal, tínhamos muita coisa legal para gravar com ele.

Dianteira do Bronco Sport (Clayton Sousa)

Hora da aventura

Apesar do porta-malas de 580 litros ter acomodado bem as roupas e os equipamentos, decidimos deixar parte da carga na pousada antes de partimos para as belezas naturais. Bom momento para testar as duas formas de abrir o compartimento (pelo vidro ou puxando toda a tampa para cima). Ah, aproveito para passar uma informação importante sobre as cachoeiras. A visitação na maioria delas fecha cedo, em torno das 15h. Como o relógio marcava perto disso, o destino mais seguro, para o horário, era a Cachoeira dos Cristais – um complexo com várias quedas d’água, estrutura de camping e restaurante.

Os pneus de uso misto, Pirelli Scorpion A/T 225/65 R17, permitiram boas aceleradas. O conjunto de suspensão de alta performance H.O.S.S. (High-Performance Off-Road Stability Suspension) mostrou um equilíbrio interessante entre conforto e estabilidade. Resumo: domar o Bronco Sport é tranquilo, inclusive para os iniciantes nesse universo off-road.

Traseira do Bronco Sport (Clayton Sousa)

Dos 9 km de Alto Paraíso até o primeiro destino, 3 km são de estrada de chão. Chegamos à Cachoeira dos Cristais, deixamos o nosso companheiro no estacionamento, pagamos R$ 25 por pessoa e começamos a caminhada. A trilha bem sinalizada exige fôlego e pernas preparadas. Tiramos um bocado de fotos, curtimos o visual e aproveitamos o tempo, na última queda, para definir para onde iríamos no segundo dia: a Cachoeiras dos Macaquinhos.

Um lugar para ficar na memória

O domingo começou no Centro de Atendimento ao Turista de Alto Paraíso. Lá, nos encontramos com o guia, Pedro Pilla – nascido em Porto Alegre e criado no Cerrado. O bom de contratar esse tipo de profissional é poder conhecer mais lugares em menos tempo e, claro, com mais segurança. Afinal, ficar perdido numa trilha não deve ser nada agradável.

Com a aventura traçada, percorremos 13 km pela BR-118, sentido São João da Aliança e, depois, mais 35 km onde o asfalto nem sonha em chegar. Boa parte do percurso é tranquila para carros de passeio, mas depois o bicho pega. Com pedras soltas e poeira densa, era hora de acionar a tração 4×4. Escolhi o modo Terra pelo seletor G.O.A.T e as imagens da câmera frontal apareceram na central multimídia. Um recurso interessante para te ajudar a enxergar os obstáculos à sua frente. Eu e meu parceiro de viagem, João Fusquine, estávamos igual meninos pequenos em parque de diversão, explorando todos os recursos possíveis do Bronco Sport.

Faltando cerca de 2 km para o destino final, era fácil encontrar peças de veículos pelo caminho. Dali para frente, só mesmo modelos 4×4 conseguem passar (e voltar). Por isso, as laterais da estrada acabam transformadas em acostamento. No entanto, seguimos tranquilos, com o ar-condicionado ligado, colocando à prova os bons ângulos de entrada (30,4°) e de saída (33,1°), além dos 223 mm de altura livre do solo. Quem teve a caminhada como única alternativa olhava para o Bronco Sport com um inevitável olhar de inveja. As pessoas não pediam carona, certamente, porque ainda estamos na pandemia.

Pronto! Chegamos à sede da fazenda. A entrada foi bem mais salgada, R$ 80 por pessoa. Como desistir nem passava pela cabeça, pagamos o valor e começamos a curtir cada passo dos 4 km que nos separavam das 10 cachoeiras do complexo natural. A última delas, a do Encontro, é sem dúvidas a mais exuberante. Convite certo para um bom banho e imagens de drone de brilhar os olhos.

Cachoeira dos Macaquinhos (Clayton Sousa)

Depois de contemplar isso de pertinho, fechamos a expedição com o pôr do sol mais bonito de nossas vidas. Para chegar até ele, por precaução, acionei o modo de condução Rocha e o bloqueio do diferencial com movimentação mais controlada das rodas. E te digo uma coisa: vencer a subida que poucos motoristas ousam encarar foi como passear na cidade. Muito tranquilo mesmo.

Em resumo, meus amigos, a escolha da Chapada dos Veadeiros, com altitudes que variam de 1.300 a 1.500 metros, não poderia ter sido mais acertada. Com suas belas paisagens, centenas de cachoeiras e vários animais ameaçados de extinção, como o lobo-guará, a região combina demais com o Bronco Sport.

Fechamos a expedição cansados fisicamente, porém com energia renovada e surpresos com o desempenho do SUV – do conforto à sua disposição no off-road. Bom, você pode até comprar um Bronco Sport e utilizá-lo, apenas, para ir ao shopping ou à escola do seu filho, mas será um grande desperdício. Tenha certeza disso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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