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TESTE: E-TRON SPORTBACK. O Audi de sempre, só que melhor

Dirigimos o segundo modelo 100% elétrico da marca alemã a chegar no Brasil

Quando você pensa em carro elétrico, o que te vem à cabeça? Eu ouso chutar que talvez venha em sua mente algo super futurista. Luzes, telas e uma cara de carro conceito que aparece em filmes da Marvel. E não é por acaso, a realidade da população que tem carro é de um carro normal, sem ousadia, com muito plástico no painel e com visitas semanais ao posto de gasolina.


A Audi apresentou o E-tron Sportback. Irmão mais novo do E-tron. A diferenças entre eles fica por conta do porta-malas, que no SUV é maior e também a autonomia, que o modelo Sportback ganha alguns quilômetros.
O E-tron não tem cara futurista e muito menos uma noite inspirada do designer da marca. Ele é um Audi. Com todas as características que um Audi tem. Isso faz você ficar em dúvida se realmente está testando um modelo 100% elétrico. Ele tem tudo que um modelo alemão topo de linha tem que ter. 

Grade frontal bem desenhada, conjunto óptico full LEDs com todas as adaptações existentes para um farol e grandes rodas 21 polegadas com o freio pintado em amarelo. Na traseira, uma pitadinha de futuro, um led que corta toda a tampa do porta-malas, dando assim, um ar de nave espacial.

Agora passando para a parte mais sensitiva do nosso encontro, quando você abre a porta do E-tron – e não importa se é a do motorista ou a do passageiro – é que cai a sua ficha. É um carro a frente do seu tempo. 

Começando pelo fato de que quando você puxa a maçaneta e abre a porta, uma luz é jogada no chão com o nome do carro – deve ser para você não esquecer que está prestes a entrar em um E-tron.

Sentando no banco do motorista da versão mais completa, senti o conforto do banco e logo me agarrei ao volante. Ali não tem nada demais, mas é bom de pegar, sabe? A mão encaixa perfeitamente, tal qual todos os acabamentos ao longo do painel.

Volante multifuncional revestido em couro e equipado com borboletas

Piso no pedal do freio e aperto o botão ‘start’. Play. Luzes de LEDs pra todo lado. Aquele mesmo ambiente que a gente sempre imagina que é por dentro de um elétrico. Mas é um Audi. 

O painel, é o virtual cockpit, já conhecido e amado, de 12,3 polegadas. Ao lado, tela multimídia de 10 polegadas com todas as conexões com smartphones. Embaixo dessa tela, outra, de 8 polegadas, com os controles do ar condicionado.

Na tela touch-screen de baixo também está o botão para selecionar o modo de direção

Sigo passando o olho e alguns botões ainda estão pelo painel, como troca do modo de condução, sistema de estacionamento autônomo e, enfim, coloco a mão no câmbio.

Câmbio automático que deve ser o mesmo da Millennium Falcon, de Star Wars.

Diferente de tudo que já tinha visto, parece mais um manche de avião. A alavanca é fixa. Os acionamentos os modos é feito apenas pelo dedão ou pelo dedo indicador. Uma loucura, que é até difícil de explicar. Só segurando pra entender.

Ah, outro detalhe, desde o começo do nosso último parágrafo, o carro já estava ligado. Silêncio absoluto. E eu sei, isso não é novidade, mas é algo que sempre impressiona. Coloco o cinto, alavanca em D e saio ouvindo todo aquele silêncio.

Teste pelas ruas do interior de São Paulo

É bizarro saber que embaixo daquele capô tem 408cv com 61,1kgfm de torque quietos, mudos. Para explicar melhor, o E-tron é equipado com dois motores elétricos. Um, de 183cv, fica no eixo dianteiro. O outro, de 225cv, está posicionado no eixo traseiro. Isso vale tanto para verão SUV, quanto para Sportback.

Embaixo do capô, tem um compartimento de 60 litros para guardar o carregador do carro

Guiar o E-tron é uma experiência intrigante, principalmente por onde foi, na Marginal Tietê, em São Paulo. São 2,6 toneladas da mais moderna engenharia automotiva alemã flutuando pelas ruas movimentadas da maior cidade da América Latina. O torque imediato impressiona. De acordo com a Audi, ele faz de 0 a 100km/h em 5,7 segundos.

No Brasil, o modelo está disponível em duas versões. E-tron Performance, de entrada, e Performance Black. Meu carro era a versão mais cara, Performance Black, equipado com o opcional mais legal de todos, os retrovisores externos virtuais. Agora a gente volta um pouco lá pro começo do texto.

Aqui sim, me senti em 2050. Eu sei que uma câmera no retrovisor não é algo tão surreal assim. Alguns carros já têm visão 360º e a própria Honda tem em alguns modelos o LaneWatch, que projeta para multimídia a imagem assim que você aciona a seta. 

Mas aqui é diferente. Não existe espelho. São duas câmeras – com uma ótima qualidade, diga-se de passagem – que transmitem a imagem do trânsito para a lateral das portas.

Os retrovisores digitais são um opcional da versão mais completa

Confesso que levei uns 20km para me acostumar com o fato de ter que olhar para a porta e não para o objeto que fica posicionado lá fora do carro. Mas, convenhamos, se acostumar com algo bom é tão mais fácil, né? O meu pensamento era apenas em não fechar um motoboy sem querer e receber uma resposta com a sola da bota dele. Afinal, esse par de câmeras custam R$ 13 mil.

Baterias
Se tem uma coisa que não me preocupou durante o percurso foi a autonomia do E-tron Sportback. Segundo a Audi, são 446km, 49km a mais do que o modelo SUV. As baterias ficam posicionadas no assoalho, isso faz o carro ter, inclusive, um centro de gravidade melhor. Fora o espaço no porta-malas que também fica generoso, com capacidade para 555 litros.

Ponto de recarga rápida, DC Charging, de 150kW

Existem duas formas de recarregar a bateria do E-tron. A AC Charging, de 11kW, que é a que de uma tomada convencional de casa, por exemplo, e a DC Charging, de 150kW, que é a carga rápida. 

Para você ter 100% da bateria na tomada da sua casa, leva 8 horas e meia. Já conectado a uma carga rápida, apenas 45 minutos. E para efetuar o carregamento, basta pegar o cabo, que fica guardado embaixo do capô, ir até a lateral e pressionar um botão que a portinha do plug se abre, te aplicando mais uma dose imaginária de serotonina.

Choque de realidade
Termino meu teste saindo do carro com um aperto no coração. Feliz, de ter guiado o segundo modelo 100% elétrico da Audi e triste, por saber que toda essa modernidade e prazer ao dirigir que me foram proporcionadas custa muito dinheiro.

Você pode ter um E-tron em sua garagem a partir de R$ 511.990, na versão Performance. Caso queira a Performance Black, ela sai a partir de R$ 551.990. O modelo que guiei ostentava todos os opcionais, ou seja, deveria chegar perto dos R$ 600 mil.

A reflexão que fica é que já estamos vivendo o futuro no presente. Recentemente, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, registou uma ordem executiva banindo a venda de carros que usam gasolina ou diesel até 2035. Visando acelerar a transição do estado para veículos 100% elétricos.

Se em 15 anos, um elétrico popular me proporcionar metade da sensação que tive guiando o E-tron, estarei bem satisfeito e sem saudade nenhuma de guiar um modelo a combustão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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