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TAMANHO NÃO É DOCUMENTO: Testamos o novo Jimny Sierra

Modelo chega importado do Japão e conviverá com a atual geração

A primeira vez que vi o Suzuki Jimny, camuflado até então, minhas pupilas se dilataram. Automaticamente esbocei um leve sorriso de canto de boca. Isso foi em 2017, por fotos em grupos de WhatsApp. O japinha estava todo disfarçado, porém sua silhueta era bem evidente. Aquele formato todo quadradinho logo me remeteu a um ‘mini Classe G’. Como não gostar?

Os faróis da versão mais completa 4Style são em led.

O nosso primeiro encontro, olhos nos olhos, foi no Salão do Automóvel de São Paulo de 2019. E ali sacramentei: era tudo o que eu esperava. Lembro que eu passava a mão lentamente no capô e tentava entender porque ele me agradou tanto. Intrigava o fato dessa quarta geração do modelo parecer ter voltado no tempo em relação à terceira e, mesmo assim, aparentar ser ainda mais moderna. Na real, ela caminha na encruzilhada entre o cult, o vintage e o moderno, algo raro de se ver.

Marcamos um segundo encontro. Dessa vez para concretizar de vez essa relação, que começou bem. O local foi a Serra do Japi, em São Paulo. Foram 100 km de teste-drive saindo da capital paulista, pegando a estrada e fechando, como não poderia ser diferente, com muito off-road.

O Jimny Sierra vem importado do Japão. O objetivo é manter o DNA que conquistou mais de 3 milhões de pessoas em todo o mundo: um carro versátil, leve, valente e econômico. Ele ainda viverá lado a lado pelos showrooms das concessionárias brasileiras com o Jimny de terceira geração, aquele redondinho.

O que me conquistou lá atrás, continua brilhando os meus olhos – o design. O Sierra carrega a identidade de todos os Jimnys anteriores. As lanternas são inspiradas na primeira geração, as entradas de ar das grades frontais são as mesmas da terceira e as lanternas são da segunda. A impressão, olhando por fora, é que o modelo continua bem compacto (embora tenha crescido de tamanho). Agora são 3,64 metros de comprimento. No peso, são apenas 1.095 kg na versão manual, 90 quilos a mais do que um Volkswagen Up.

Por dentro, uma grande área envidraçada dá ao motorista/piloto uma visão privilegiada. O cluster remete aos aviões da FAB, principalmente o C-130, usado em missões de resgate. Vários detalhes pretos com os mostradores na cor laranja. Simples, rústico e bonito. Me alegra também olhar pro lado e ver uma tela multimídia da JBL com 7 polegadas sensível ao toque com Android Auto e Apple Car Play. Abaixo dela, nessa versão mais completa, ar-condicionado digital dual zone. Os bancos estão mais largos e, para facilitar a limpeza, são feitos de um tecido que lembra o neoprene, bastante utilizado em roupas de mergulho.

O sistema multimídia JBL tem tela de 7” com Apple CarPlay e Android Auto.

O espaço pra quem senta atrás do motorista e carona é praticamente nulo. Temos que aceitar a ideia de que o Jimny é para no máximo duas pessoas aventureiras. O porta-malas conta com apenas 85 litros. O ideal mesmo é rebater os bancos traseiros. Assim, você terá confortáveis 370 litros para levar bastante bagagem.

Com os bancos traseiros rebatidos, o espaço salta de 85 para 370 litros.

COMO ANDA?

O Jimny Sierra tem um novo motor 1.5 litro, 16 válvulas, de alumínio, com 108 cv e 14,1 kgfm de torque. É uma evolução comparado ao modelo anterior com 85 cv.

Em nosso teste saindo de São Paulo, dentro da cidade e na rodovia, o motor se comportou bem. A nossa avaliação foi feita na versão mais completa, 4Style, equipada com câmbio automático de quatro marchas da fabricante Aisin.

Os pneus são ATR, 175/80, 15 polegadas da Dunlop, feitos exclusivamente pro Jimny.

Apesar de ser tão moderno quanto um iPhone 6s, o câmbio da conta do recado, em baixas e médias velocidades. Mas aos 120 km/h, o giro fica na casa dos 3800/4000 rpm e o som do motor invade a cabine. Se estiver trocando uma ideia com alguém, será preciso aumentar um pouco o volume da voz.

É perceptível a falta de uma quinta marcha. Além dessa questão do conforto, ela ajudaria até no consumo. Segundo o Inmetro, o Sierra faz 10.4 km/l na cidade e 10.2 km/l na estrada. Ah, vale lembrar que o jipinho roda apenas com gasolina.

Localizado um pouco abaixo do câmbio, temos outra alavanca, mais rústica, para selecionar a tração. Para fazer as mudanças, coloque o câmbio na posição ‘N’ e engate a tração com um pouquinho mais de força no braço, para ‘enraizar’.

Cambio ‘raíz’ para selecionar a tração do Jimny Sierra.

Na terra, o carro se mostra feliz de estar em seu habitat. Se participasse daquele programa ‘Largados e Pelados’, do Discovery Channel, claramente o Jimny Sierra sairia vitorioso. A suspensão trabalha muito bem, tanto no asfalto, quanto no fora de estrada. Investir o seu tempo atrás do volante, nesse tipo de terreno, é bem legal. A sensação é de que nenhum obstáculo vai estragar o seu prazer e até bate uma vontade de fundar um clube de trilheiros.

Em números, são 37 graus de ângulo de entrada e 49 graus, de saída. O Novo Jimny ainda tem 21 centímetros de altura do solo. Na verdade, o mais divertido era transpor galhos caídos, subidas difíceis, piso escorregadio com cascalho e folhas molhadas. Lá dentro, estava eu curtindo minha melhor playlist no Spotify com o ar-condicionado em 17 graus, no melhor estilo Sibéria.

A tração é a AllGrip Pro com reduzida e função LSD, que torna a transposição de obstáculos ainda mais fácil. No quesito segurança o jipinho tem controle de estabilidade (ESP), além de assistentes de partida e descida em rampa. Na contra-mão disso tudo, o Jimny Sierra conta apenas dois airbags.

QUANTO CUSTA?

Caro. Respondendo nossa retranca. A versão de entrada, 4You, com câmbio manual de 5 velocidades sai por R$ 103.990. A mesma versão com câmbio automático sai a R$ 111.990. E a configuração testada, 4Style, completa, com couro no volante, piloto automático, faróis em led, lavador de farol e ar condicionado digital, sai por R$ 122.990.

A Suzuki disponibiliza 8 cores em 12 combinações diferentes. Se quiser o teto preto, vai ter que desembolsar mais R$ 1.350.

RESUMO DA ÓPERA

O Jimny Sierra é um carro muito legal e versátil. O design encanta, a capacidade off-road motiva e a tecnologia agrada todas as idades. Os pontos contra vão pro câmbio, que poderia ter mais fôlego com uma quinta velocidade – apesar da ideia de ter o cambio automático ser muito bem-vinda – e para o porta-malas, que mesmo não sendo a proposta, poderia vir mais espaço. Ah, por fim o preço deveria ficar abaixo dos R$ 100 mil. Entretanto, fiz uns cálculos relacionados ao tamanho e ele encaixa certinho na garagem do meu prédio. Só o valor que não cabe no bolso.

Quer saber ainda mais sobre o Novo Jimny? Aperte o play e confira o nosso teste com mais de 100 km.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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