Última Marcha

Ranger Black: a primeira aposta da nova Ford

Quando eu vejo uma caminhonete média, principalmente na cidade, eu sempre me pergunto: Será que esse motorista usa mesmo esse trem para carregar peso ou rodar na terra? Trem, para os mineiros, significa qualquer tipo de veículo ou coisa – menos o trem. Tá vendo? O Última Marcha também é cultura. Voltando às caminhonetes, elas dificilmente são usadas para o fim proposto pelas montadoras. Na maioria esmagadora dos casos, as brutas acabam acumulando teia de aranha no botão de acionamento da tração 4×4. Viram carros de passeio.

Conheça a versão Storm em nosso canal do YouTube:

Resumindo, muita gente compra uma picape sem precisar de uma picape. De olho nesse público, a Ford acaba de lançar a Ranger Black. Apresentada pela primeira vez no Salão do Automóvel de São Paulo de 2018, a versão aposta no visual diferenciado para fisgar os aventureiros urbanos. O design é marcado, como o nome diz, nos detalhes na cor preta, como as rodas 18 polegadas, a grade dianteira, o rack de teto, os stribos laterais, além dos faróis e lanternas com máscara negra. O santoantonio, herdado da Ranger Limited, também segue o tom com luz de freio integrada.

Ao abrir as portas, alguns caprichos chamam a atenção. Bancos em couro, apoio para os braços, ar-condicionado de duas zonas e central multimídia Sync 3 de oito polegadas estão presentes. A Ranger Black será a primeira configuração da família a contar com o Ford Pass. O sistema, inaugurado no Brasil pelo Territory, possibilita monitorar o veículo à distancia, bem como travar e destravar a portas, ligar o motor, conferir o nível de combustível e até agendar uma revisão. Tudo por meio do telefone celular. Caso o alarme seja acionado, você receberá um alerta, na hora, independentemente de onde estiver (contando que haja sinal de celular, claro).

Mais do que visual

A Ranger Black, vendida a partir de R$ 179.900, também manda bem quando o assunto é segurança. De série, conta com 7 airbags, controles de tração e estabilidade, assistente para partida em rampa e controle adaptativo de carga – sistema criado para monitorar as diferenças de peso e possíveis deslocamentos da carga, 100 vezes por segundo, para manter a caminhonete na tragetória correta. Faltou, apenas, o pacote de assistências à condução, presente na configuração Limited, com alerta de colisão, frenagem autonôma de emergência e controle de cruzeiro adaptativo (ACC).

Ranger Black conta com suspensão calibrada para privilegiar o conforto

Embaixo do capô, no entanto, nada de ostentação de potência. A Ford optou pelo motor 2.2 turbodiesel capaz de gerar 160 cavalos e 39,2 kgfm de torque. Com peso e proporções reduzidas, em relação ao propulsor 3.2, essa opção, aliada ao câmbio automático de seis marchas, promete consumo de 9,5 km/l, na cidade, e 11,2 na estrada. Um senhora autonomia para um trem desse tamanho. A tração 4×4 ficou de fora dos planos. Se você faz questão dela, melhor investir na Ranger Storm.

Outro diferencial da Ranger Black é a capota rígida. Com abertura e fechamento elétricos, acionados por um controle remoto, ela transforma a caçamba em um gigantesco porta-malas de 1.180 litros. O equipamento, segundo a montadora norte-americana, suporta até 100 quilos de peso e é resistente à chuva e poeira.

A capota diferentona será vendida como opcional por R$ 7.902, mas caso você esteja entre os 100 primeiros clientes, ela, o protetor de caçamba e a uma rede porta-objetos para o compartimento de carga estarão inclusos no valor da caminhonete. Os três itens, à parte, custarão cerca de R$ 10.000. Resta saber, agora, como esse lançamento irá se comportar frente ao fechamento das fábricas, no Brasil. Levando em consideração a reputação da Ranger no mercado e os 18% de participação no mercado, em 2020, eu aposto as minhas fichas que vários picapeiros urbanos já estão de olho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.