Última Marcha

Andamos no JAC E-JS1: o elétrico popular de R$ 149.900

Antes de começar o texto, já peço para que você, querido leitor do Última Marcha, não me xingue. “Como um carro popular pode custar R$ 149.900? Esse cara só pode estar de brincadeira!”. 

É possível que tenha pensado nisso. Mas eu explico. A palavra popular foi apenas para definir que o novo JAC E-JS1 é o carro elétrico mais barato vendido no Brasil. Ele custa R$ 80 mil a menos do que o Renault Zoe, segundo colocado nesse ranking. Foi por conta dessa diferença que utilizei o termo popular. Cá entre nós, ele está longe mesmo de ser barato. 

Dito isto, vamos ao E-JS1. Fomos à São Paulo conhecer o pequenino elétrico. Logo ao chegar a concessionária da JAC, escolhida para ser o ponto inicial do teste, uma bela surpresa. Com uma diversificada oferta de cores, o E-JS1 foge do preto e prata tradicionais. O modelo aposta em tons mais vivos e alegres para se diferenciar. Há pitadas de azul, vermelho, branco, verde e até rosa.

Nós conhecemos o modelo, no lançamento do SUV E-JS4.

Hora de partir para o teste. Com 300 quilômetros de autonomia, o E-JS1 tem vocação urbana. Por isso, nosso trajeto cortou algumas regiões de São Paulo. A primeira grata surpresa ficou para o comportamento da suspensão. Lembra lá do subtítulo? Uma das pitadas da Volkswagen foi aqui. Se você fechar os olhos (sentado no banco do carona, é claro), você se sente em um Up. O carro é firme, sem ser desconfortável.

Toque da Volkswagen

Parece estranho, eu sei. Como a Volkswagen deu um toque na JAC? Essa história começou no ano passado. A marca alemã comprou parte da JAC para desenvolver carros elétricos no mercado chinês. A parceria resultou em uma marca chamada Sol. É ela que produz o E-JS1, no Brasil, sob tutela da JAC. Da marcha chinesa/brasileira, o E-JS1 usa apenas o chassis e a carroceria, herdadas do subcompacto J2, vendido por aqui entre 2012 e 2016. A VW aplicou a sua experiência na suspensão, como mencionada anteriormente, interior, dinâmica, acabamentos, entre outras partes.

Comecei o teste-drive no banco do passageiro e aproveitei para observar. O acabamento interior também tem a cara da Volkswagen. Apesar de todo feito em plástico duro, tem diversas cores e texturas. Não há falhas de encaixe e o design é bastante interessante. As cores internas variam de acordo com a coloração da carroceria. Dessa forma, habitáculo pode sair de fábrica com visual mais discreto ou chamativo.

Os bancos são os mesmos do Volkswagen Up europeu. Diferentes do modelo nacional, eles têm apoios laterais robustos e são mais confortáveis.

Outro ponto que chama a atenção no E-JS1 são as telas. Logo na frente do volante, uma de 6,2 polegadas faz o papel de painel de instrumentos. Exibe as informações básicas do carro, como autonomia, velocidade e alguns alertas. De boa resolução, o único porém fica para o brilho, fraco debaixo de sol forte.

No centro do painel, uma tela de 10,25 polegadas é a responsável pelo sistema de entretenimento. Além disso, o sistema de ar-condicionado também é controlado de forma touch-screen pelo visor.

Recém-chegadas ao Brasil, as unidades utilizadas para teste ainda eram pré-série. Algumas ainda tinha até mesmo o logotipo da Sol. Todas elas, inclusive estavam com o sistema de entretenimento em idioma Mandarim. Assim, qualquer configuração, além do ar-condicionado era inviável.

Como anda?

Depois de muito observar, chegou minha vez dirigir. Assim como todo carro elétrico, basta um pouco de convívio com o veículo para guiá-lo (quase) sem a necessidade de usar o pedal do freio. Graças à frenagem regenerativa, o E-JS1, praticamente, para sozinho quando você solta o pedal do acelerador. Além de poupar as pastilhas, a engenhoca ajuda a recarregar as baterias.

A direção elétrica, como em outros modelos da JAC, é bem leve em baixas velocidades. Conforme o carro vai mais rápido, o volante ganha rigidez, ajudando na dirigibilidade e na segurança.

Debaixo do capô, o E-JS1 carrega um motor elétrico, claro, de 45kw, algo na casa dos 62 cv. O torque é de 15,3 kgfm, bem próximo dos 17 kgfm do UP TSI. Porém com uma grande diferença: a patada é instântanea. Basta apertar o pedal do acelerador até o fundo para sentir o torque entregando toda a sua força, rapidamente, às rodas dianteiras.

Esse conjunto é mais do que suficiente para rodar na cidade. O chinesinho é esperto e não passa aperto em nenhuma situação, nem mesmo em subidas mais íngremes, como em nosso teste. De acordo com a JAC, o E-JS1 acelera de 0 a 100 km/l em 10,7 segundos. A velocidade máxima, no entanto, é limitada a 110 km/h para preservar a autonomia da bateria.

Por falar nisso, o E-JS1 conta com 5 anos de garantia. De acordo com a JAC, após 4 mil ciclos (recargas), o que equivale a 800 mil/1 milhão de quilômetros rodados, a bateria terá perdido 25% da sua capacidade de carga. O E-JS1 traz de série um carregador portátil. Quando conectado à uma tomada de 220v, ele transfere toda a energia suficiente para os 300 km de autonomia, em até 12 horas, e consume o equivalente a um ferro de passar roupas. 

Por conta do padrão de tomada da China, diferente do utilizado no Brasil, a JAC fornece, juntamente com o carregador, um adaptador para o padrão europeu. Ou seja, com ele, é possível recarregar a bateria em qualquer posto de recarga disponível em nosso país.

Vidros e travas são elétricos e há câmera de marcha à ré para ajudar a estacionar o pequenino elétrico. O câmbio é acionado por meio de uma alavanca atrás do volante. Esta peça é muito semelhante à utilizada pela Mercedes. Caso falte energia para o seu celular, é só aproveitar o carregador de celular por indução instalado no console central.

Conclusão do nosso teste: com cinco anos de garantia, revisões na casa dos R$ 150 reais, o JAC E-JS1 é uma boa opção para quem procura um veículo prático para andar na cidade e fugir dos postos de combustíveis. De popular ele realmente não tem nada, mas pode marcar o início da queda dos preços dos carros elétricos por aqui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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